O templo cristão que se pode encontrar no centro de Perafita é também, conjuntamente com as vastas instalações paroquiais, o centro dinâmico desta comunidade cristã, que lança as suas raízes no povoamento da península, anterior à nacionalidade.
A Paróquia de Perafita encontra referências documentais desde o início do século XI, sendo legítimo supor que exista desde data anterior. Os lugares hoje que a constituem são memória dos topónimos de antigas vilas, que podemos imaginar como quintas, que foram ficando sob a jurisdição eclesiástica de Perafita, com o seu Pároco e os fregueses. Vale a pena dizer que a designação, hoje civil, de freguesia (por contraponto à designação eclesiástica de paróquia) tem origem religiosa: os fregueses são os filhos da igreja, filigreses, com a origem latina fili ecclesiae. Também a organização territorial é a um tempo derivada das propriedades rurais e das paróquias, que progressivamente se foram definindo.
Esta paróquia foi apresentação do Mosteiro de Moreira da Maia, pagando-lhe os tributos habituais e, certamente, recebendo a protecção e a formação religiosa e agricola que sempre os mosteiros deram. Na formação da nacionalidade, paralela à reconquista cristâ, os mosteiros tiveram um valioso papel no repovoamento e colonização do território conquistado, sendo por isso protegidos pelos monarcas e príncipes. Tendo em seu poder cerca de metade do território agrícola, os mosteiros eram grandes quintas, e ocasionavam o aparecimento de povoados, campos cultivados e escolas. Assim as diversas vilas, com os seus povoados relacionam-se com os mosteiros: assim perafita e arredores com o Mosteiro de Moreira da Maia. Os Mosteiros, que começam por depender dos bispos diocesanos, vão ganhando autonomia, por isso a passagem da paróquia para a dependência da Diocese do Porto é lenta e naturalmente difícil. Na actual organização civil e eclesial tudo isto não passa de uma ténue memória, presente nos nomes mais que na vida dos habitantes.
A Igreja de Perafita deve, pois, ter sido construída sob o patrocínio de um proprietário rural, que orientaria inclusíve a nomeação do pároco. Do templo primitivo provavelmente nada resta. Nem mesmo o local pode ser conhecido com segurança. O mais provável é que tenha, como em muitas outras situações, nascido onde hoje se encontra e sofrido progressivos aumentos (em muitos lugares aconteceu que o local do templo cristão foi antes local de culto pagão, então cristianizado).
O melhor testemunho documental diz que o edifício actual é fruto de uma reforma realizada no século XVIII. E o edifício anterior, que provavelmente não era o primeiro, já tinha altares com as belas imagens de Santa Ana e de Nossa Senhora, que hoje se podem ver sobre mísulas do altar-mor e são sem dúvida as mais belas e valiosas do património paroquial. Nessa reforma recebeu os púlpitos (que foram removidos na remodelação de meados dos anos setenta deste século) e dois novos altares a acrescentar aos três anteriores (altar-mor e dois laterais). Ficou então com o altar-mor e quatro laterais, dois nas parededs da nave e dois colocados no arco do cruzeiro, de frente para a assembleia, todos de talha, tal como o frontispício do arco do cruzeiro, onde se vê a imagem do padroeiro, "São Mamede". Esta talha do século XVIII (restaurada e pintada neste século), sem ter o esplendor da talha barroca, é um bonito exemplar da sua época. A fachada apresenta um brasão em granito com as armas dos Menezes da Casa de Tarouca, talvez de D. Jerónimo de Menezes, bispo do Porto de 1592 a 1600. Os azulejos da fachada são deste século, colocados durante a paroquialidade do Padre Heitor Vieira Pinto, bem como o baptistério actual e os três guarda-ventos.
Encontramos hoje uma igreja de uma nave e presbitério, um local de oração recolhido e fresco, que muito tem beneficiado com a diminuição do tráfego automóvel nas vias envolventes, pela construção de novas vias. A sua configuração actual é fonte de duas grandes remodelações, primeiro em meados dos anos setenta, no início do ministério paroquial do Padre Ângelo Ferreira Pinto, e depois nos inícios dos anos noventa, pela mão do mesmo pároco.
As primeiras foram inauguradas em 2 de Outubro de 1978, com a benção do novo altar por D. António Ferreira Gomes. Tratou-se sobretudo de tentar ganhar espaço, num edifício pequeno para o imenso aumento da população e ainda de adequar o templo às normas litúrgicas do Concílio Vaticano II. Para esta adequação transformou-se em altar a mesa da Confraria do Subsino (popularmente dita Socino), que antes se encontrava no adro, ao lado esquerdo de quem entra. Esta Confraria dirigia os destinos da povoação até finais do século XIX, altura em que começou a evoluir para a actual divisão entre competências civis da Junta de Freguesia e religiosas da Comissão Fabriqueira da Igreja.
Para ganhar espaço retiraram-se os gradeamentos de madeira que separavam os altares e o presbitério da assembleia, retiraram-se os púlpitos (fora de uso) e os altares do arco do cruzeiro, substituindo-os pelas pedras do chão dos púlpitos, que passaram a funcionar como mísulas. A talha dos altares removidos conserva-se guardada.
No lugar dos púlpitos surgiram os actuais nichos, em substituição de outros dois que estavam nas paredes laterais, entre os altares. Foi também substituido o sacrário pelo actual. Na mesma ocasião foi mudado o soalho e foi restaurada toda a toalha, passando da antiga cor branco, azul, cinza e dourado para a que hoje vemos. Foi ainda alargado o coro alto, deslocando o órgão de tubos da posição primitiva (à esquerda quem entra) para posição central actual e pondo-o a funcionar com alimentação motorizada. O varandim do coro alto foi construido com a talha dos varandins dos púlpitos. São de então os azulejos interiores actuais colocados em substituição de outros que cobriam todas as paredes laterais até à altura aproximada de uma pessoa. Foram ainda retirados os plátanos do adro, que punham em causa a solidez das fundações da igreja, e plantados chorões, depois retirados pelo mesmo motivo.
A última remodelação em 1993, centrou-se no órgão de tubos e na aquisição de vitrais e dedicou-se a pormenores de decoração, dos quais salientamos a substituição do soalho pelo actual, a substituição das mísulas de pedra dos altares do arco de cruzeiro pelas actuais da talha nova e a aquisição de uma imagem de Santo António para substituir uma imagem do Sagrado Coração de Maria, deslocada para a sacristia.
O órgão de tubos é um instrumento ibérico dos inícios do sec. XIX (anos vinte), tendo sido construido por um competente organeiro português da época - segundo António Simões, Manuel de Sá Couto. Não se sabe quando foi colocado na igreja. Sabe-se que, em 1966, terá sofrido um pequeno restauro pelas mãos de Joaquim Rodrigues, de onde se salienta a motorização do sistema de ventilação. Em 1993, por iniciativa do então Pároco, Padre Ângelo Ferreira Pinto, foi alvo de um grande restauro, desta vez a cargo de António Simões. No presente, o órgão encontra-se em perfeito estado de conservação e execução, sendo usado não só em concertos como semanalmente no acompanhamento do canto na Liturgia, ajudando assim o povo no louvor a Deus. Tem 15 meios registos, com as palhetas em chamada num total de 399 tubos. A sua composição é a seguinte:
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